Rede de Sororidade: Confira como foi a residência lunar em Pataxó Barra Velha

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O projeto Redes de Sororidade é mais uma forma de potencializar a rede Pelas Mulheres Indígenas.

Entre novembro de 2017 e março de 2018 mulheres da rede Dragon Dreaming Brasil viajam até as aldeias da rede dos Pontos de Cultura Indígenas do Nordeste para fortalecer os grupos locais de mulheres indígenas com oficinas de DRAGON DREAMING. Cada aldeia recebe entre 01 ou 02 dragons dreamings para um período que varia entre 18 e 28 dias.

As oficinas se adequam as demandas de cada grupo local, alguns grupos querem se formalizar como associação, outros querem aprender a elaborar projetos, outros desejam aprender novas formas de fazer uma gestão colaborativa. E acima de tudo as oficinas tem como intuito promover a participação das mulheres nas organizações de base das aldeias.

Confira abaixo o relato das dragons Anna Carolina e Suzana que fizeram juntas a imersão lunar na aldeia Pataxó Barra Velha

“A nossa residência lunar em Pataxó Barra Velha foi um pouco mais curta, como viemos
direto de outra aldeia e tivemos dificuldade de comunicação com nossa anfitriã, acabamos
ficando 1 semana por lá. Durante essa semana choveu bastante, mas mesmo assim avaliamos
esse período como bem produtivo com o grupo. Realizamos 3 encontros mais formais com o
grupo de mulheres e conseguimos nos conectar em sororidade, compartilhar ferramentas de
gestão DD, vivenciar a cultura pataxó, brincar juntas, estar juntas na natureza, nos cuidar,
compartilhar comidas gostosas e aprender umas com as outras.

Definição delas próprias: “Nosso grupo iniciou-se no dia 8 de março de 2015. A partir de então começamos a trabalhar em um espaço cedido pela comunidade para fazer a horta das mulheres. Regulamente nós nos encontramos e cultivamos plantas medicinais além de alguns alimentos que são dividido entre as mulheres. Fazemos constantemente mutirões na nossa horta, na casa de nossas companheiras e de pessoas da comunidade que precisam de ajuda. Juntas produzimos óleo de coco, de dendê e pretendemos formalizar nosso grupo como uma associação afim de recebermos projetos que possam melhorar a nossa renda, saúde e qualidade de vida. Precisamos de mudas, sementes, cursos e conhecimento. Temos muita vontade de trabalhar com plantas medicinais, fazendo óleos essenciais, tinturas, extratos, pomadas e outros produtos. Sempre que alguma pessoa especial traz algum conhecimento recebemos essa pessoa com lanche, canto e dança indígena. Todo apoio para nós é muito importante.”

Como relatado, o grupo já tem um espaço de horta e fizeram várias atividades lá. O grande sonho do momento é poder beneficiar essas plantas medicinais resgatando o conhecimento de seus ancestrais para produzir remédios (tintura, garrafadas, extratos, pomadas e outros). Juntas cada mulher puderam compartilhar os seus sonhos para este grupo de mulheres e também compartilhamos vários temas que surgiram no nosso encontro, entre eles introdução a projeto e Dragon Dreaming, redução da curva de esquecimento, planejamento das atividades, priorização de atividades e sonhos, ferramentas e modelo de gestão visual das atividades do grupo (modelo tripé), divisão de tarefas e autoinscrição nas mesmas. Tudo isso aplicado a realidade e aos sonhos do grupo, sendo as atividades vivenciadas por elas com muita leveza e diversão. Se não é divertido, não é sustentável: esse é um dos lemas do DD, e se aplica perfeitamente a esse grupo. Elas tem a vantagem de serem bem celebrativas, divertidas e alto-astral. Isso fortalece ainda mais o grupo e a vontade de se reunirem.

O acesso a internet é relativamente fácil, existem muitas pessoas com internet nas suas próprias casas e a escola também tem ponto de internet. As mulheres mais jovens tem bastante facilidade com o uso das TICs. Elas tem um grupo de whatsapp entre elas e algumas também participam de outros grupos com mulheres indígenas. Elas expressaram claramente o desejo que se formalizarem como associação e afirmaram que a nossa presença veio num momento fundamental, pois o grupo estava disperso. Disseram que nós colaboramos com a união e o fortalecimento do grupo. Agradeceram muito as nossas interações e contribuições. A oportunidade de expressarem seus sonhos para o grupo e o momento de sonharem juntas trouxe bastante motivação e senso de pertencimento para elas. Elas ficaram muito atentas quando apresentamos a mandala do DD e se mostraram muito dispostas a continuar se encontrando mais vezes e a vencer as dificuldades de estarem juntas. Saímos das aldeias 100% satisfeitas, deixando lá mulheres fortalecidas, motivadas, protagonistas e com vontade de fazer as coisas acontecerem. Incentivamos o protagonismo delas e durante a nossa estadia o grupo foi se reconectando e se fortalecendo com um todo, elas já sonharam juntas e identificaram as prioridades de ação. Elas estão mais confiantes e agora a bola tá com elas e é preciso dançar com os dragões para realizar os sonhos. Conseguimos identificar a demanda do grupo e ser flexíveis, alguns momentos gostaríamos de ter trabalhado mais a metodologia DD, porém o grupo estava precisando de atividades mais leves, com menos compromisso mental e mais diversão juntas. Isso foi muito importante para elas recuperarem a “liga” entre elas.


Também sentimento de aprendizagem e de missão cumprida, mais um trabalho utilizando a metodologia DD como apoio que se completou, a flexibilidade na forma, o exercício da organização de centro vazio, o exercício de celebrar frequentemente e a possibilidade de integrar a diversão com o trabalho. Sentimos muita gratidão pelo acolhimento das nossas irmãs e parentes, que integraram-nos sem distinção nas suas famílias e culturas. Uma experiência que rendeu bons frutos e deixou saudades.”

Escute agora a web-rádia Cunhã com o programa rede de sororidade na aldeia Pataxó Barra Velha

 

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